Uma formação rochosa com contorno de barco, situada a cerca de 29 km do Monte Ararat, na Turquia, voltou ao centro das atenções em 2026: cientistas da Universidade de Sivas Cumhuriyet se uniram a pesquisadores independentes e ao projeto Noah’s Ark Scans para conduzir a maior exploração já realizada no local. Mas, afinal, por que essa busca que já dura décadas só está avançando de verdade agora, e o que realmente dá para esperar dos resultados?
Primeiro, um esclarecimento importante sobre o local
Vale uma correção de expectativa antes de qualquer coisa: a investigação não acontece dentro do Monte Ararat propriamente dito, mas na chamada Formação Durupınar, cerca de 29 km ao sul da montanha, no distrito de Doğubayazıt. A estrutura, com contorno que lembra um casco de embarcação, mede entre 157 e 164 metros, medida que se aproxima bastante da descrição bíblica da Arca em Gênesis 6. Ela foi identificada pela primeira vez em fotos aéreas em 1959, batizada em homenagem ao cartógrafo turco İlhan Durupınar, e teria sido exposta por fortes chuvas e terremotos ainda na década de 1940.

Por que a busca só está avançando agora
A resposta tem menos a ver com descoberta recente e mais com tecnologia e articulação institucional que simplesmente não existiam da mesma forma antes:
- Novas tecnologias de varredura não invasiva — a pesquisa atual usa radar de penetração no solo (GPR), tomografia de resistividade elétrica (ERT) e mapeamento a laser por drone (LiDAR), equipamentos que permitem enxergar estruturas a metros de profundidade sem precisar escavar logo de cara. Parte dessa tecnologia, inclusive, foi trazida por um engenheiro com histórico em projetos de defesa dos Estados Unidos, incluindo radares usados para detectar túneis de cartéis de drogas na fronteira
- Uma nova aliança entre universidade e ativismo religioso — diferente de tentativas anteriores, mais isoladas, o esforço atual junta formalmente pesquisadores acadêmicos da Universidade de Sivas Cumhuriyet a um grupo de ativistas cristãos interessados na comprovação da narrativa bíblica, dando ao projeto mais estrutura, financiamento e visibilidade internacional
- Autorização oficial do governo turco para o mapeamento detalhado da formação, algo que nem sempre esteve disponível da mesma forma no passado
- Resultados preliminares que renovaram o interesse — amostras de solo coletadas em 2024 já indicavam concentração de matéria orgânica quase três vezes maior dentro da formação do que fora dela, reforçando ainda mais a justificativa para um esforço maior agora
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O que já foi encontrado até agora
Os levantamentos com radar e tomografia identificaram estruturas com ângulos retos a cerca de 9 metros de profundidade, incluindo espaços que lembram compartimentos internos, um padrão que, segundo os pesquisadores favoráveis à teoria da arca, não seria facilmente explicado por uma formação geológica natural. Perfurações mais profundas para coleta de amostras (testemunhos) começaram em setembro de 2026, mas os resultados completos dessas análises ainda não foram divulgados.

O que os céticos dizem
É importante dar o contraponto: o debate não é novo, e segue dividido. Pesquisadores como Fasold, que inclusive já defendeu a tese da arca no passado, concluíram, em análises anteriores ao lado de Collins, que o formato de barco pode ser simplesmente resultado de camadas de rocha e limonita moldadas pela erosão natural, sem qualquer componente construído por seres humanos. Mesmo os ângulos retos captados pelo radar e a matéria orgânica encontrada no solo, segundo essa visão, ainda pedem uma escavação real para confirmar se existe de fato uma estrutura artificial ali embaixo, ou apenas rocha com formato coincidente.
O que falta para ter uma resposta definitiva
Segundo os próprios pesquisadores, falta exatamente a etapa mais decisiva: a escavação física direta da área identificada pelos exames de radar, a única forma de comprovar, de fato, se existe uma estrutura construída sob o contorno de barco, ou se tudo não passa de uma formação rochosa com semelhança visual intrigante.
O que esperar daqui para frente
Os próximos passos dependem da análise laboratorial das amostras de solo e rocha já coletadas, buscando identificar: resíduos de madeira em decomposição, sinais de manipulação humana, ou artefatos que não pertençam ao ecossistema natural da região. Até o momento, a equipe do Noah’s Ark Scans não anunciou qualquer confirmação científica de que a formação seja, de fato, os restos da Arca de Noé, e é importante tratar essa informação com clareza: a arca não foi encontrada, existe apenas uma pesquisa em andamento, com resultados de laboratório ainda pendentes de publicação e revisão por outros especialistas.
Para quem tem fé na narrativa bíblica, vale lembrar: essa crença não depende de uma comprovação arqueológica para se sustentar. Para quem acompanha pelo viés científico, a resposta mais confiável só deve vir depois da divulgação completa das análises laboratoriais e da revisão independente por outros pesquisadores, processo que ainda está em curso.
E você, acredita que essa formação pode realmente ser os restos da Arca de Noé ou acha mais provável uma explicação puramente geológica? Deixa sua opinião nos comentários e continua no Blog pra acompanhar os próximos resultados dessa pesquisa!