Com as eleições gerais de 2026 no calendário, entender exatamente como funciona a urna eletrônica ajuda a votar com mais segurança e confiança no processo. Reunimos o passo a passo completo, desde o momento em que a máquina é ligada até a apuração final dos resultados pelo TSE.
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O que é a urna eletrônica
A urna eletrônica é, essencialmente, um microcomputador desenvolvido especificamente para coletar e apurar votos, criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela roda um sistema operacional próprio, batizado de Uenux, baseado em Linux e desenvolvido sob medida pelos engenheiros do próprio tribunal. O equipamento foi implantado no Brasil em 1996, substituindo a cédula de papel, e desde 2010 conta com leitor de biometria para identificação do eleitor.

O passo a passo da votação
1. Abertura da urna — A partir das 7h do dia da eleição, o presidente da mesa receptora liga a urna eletrônica na presença dos mesários e de fiscais dos partidos políticos.
2. Identificação do eleitor — Ao chegar à seção eleitoral, o eleitor apresenta um documento oficial com foto (RG, CNH ou passaporte) ao mesário, que confere os dados e libera a urna para aquele eleitor específico. O celular também pode ser usado antes da cabine, para identificação via aplicativo e-Título ou documentos digitais, como CNH Digital.
3. Votação propriamente dita — Nas eleições gerais de 2026, o eleitor digita, em sequência fixa estabelecida pelo TSE, os números de seis cargos diferentes: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. A ordem sempre começa pelos cargos proporcionais e do Legislativo, deixando as disputas majoritárias (governador e presidente) para o final. A cada número digitado, a tela exibe a foto, o nome e o partido do candidato para conferência, antes de o eleitor apertar a tecla verde CONFIRMA.
4. Encerramento do voto — Depois de registrado o voto para todos os seis cargos, a urna emite um sinal sonoro e exibe a mensagem “FIM”, indicando que o processo foi concluído com sucesso para aquele eleitor.

Como a urna garante o sigilo do voto
Um dos pontos mais importantes do sistema é a separação completa entre quem vota e o que foi votado. Isso é feito por meio de uma tecnologia chamada Registro Digital do Voto (RDV), que funciona como uma espécie de “urna de lona virtual”: os votos digitados são gravados de forma embaralhada, por um algoritmo computacional, de modo que seja impossível reconstruir a ordem em que cada eleitor votou, garantindo o sigilo mesmo internamente no equipamento.
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A urna eletrônica tem conexão com a internet?
Durante a votação, não. A urna funciona de forma totalmente offline sem sinal de internet, Wi-Fi ou Bluetooth, o que fecha a porta para qualquer tentativa de invasão remota durante o período em que os eleitores estão votando. Em locais sem rede elétrica, como aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, a urna é ligada a uma bateria externa, já que a interna não teria carga suficiente para o dia inteiro de votação.
Como funciona a apuração, já que a urna não tem internet
Ao final da votação na seção, a urna é travada e imprime o Boletim de Urna (BU), um relatório impresso em pelo menos cinco vias, com o resultado de todos os votos registrados ali para cada candidato. Uma das vias é afixada publicamente na própria seção eleitoral, e qualquer eleitor pode fotografar o documento ou escanear seu QR Code para conferir depois se os números batem com o resultado divulgado oficialmente.
Os dados também são gravados em uma mídia digital retirada da urna, levada até o cartório eleitoral. Lá, um computador usa uma Rede Virtual Privada (VPN) para transmitir o pacote de dados diretamente ao supercomputador do TSE, em Brasília, onde acontece a totalização nacional que, na prática, é apenas a soma de todos os Boletins de Urna já publicados nas seções eleitorais.
Quais mecanismos garantem a segurança do sistema
O TSE adota diversas camadas de verificação ao longo do processo:
- Teste Público de Segurança, realizado meses antes da eleição, com acesso ao código-fonte dos programas liberado para perícia da Polícia Federal, partidos políticos e universidades
- Cerimônia de lacração dos sistemas, em que os programas são assinados digitalmente e lacrados publicamente, com representantes de partidos, Ministério Público e OAB acompanhando o processo
- Teste de Integridade (também chamado de votação paralela), realizado no próprio dia da eleição, em que votos registrados em cédulas de papel são comparados ao resultado digital emitido por urnas sorteadas para esse teste específico
- Urnas de contingência, preparadas para substituir, em poucos minutos, qualquer urna que apresente falha técnica durante a votação
- Dígito verificador, um cálculo matemático que garante que os programas instalados na urna não foram alterados em relação ao que foi lacrado oficialmente
Um ponto de atenção técnica
Vale registrar, de forma factual: a urna eletrônica brasileira é um sistema do tipo DRE (Direct Recording Electronic), que registra o voto eletronicamente sem emitir um comprovante em papel para conferência individual do eleitor, o chamado VVPAT (voter-verified paper audit trail), usado em alguns outros países. O Brasil é hoje o único caso de sistema DRE usado em todo o território nacional sem essa opção de impressão de voto, uma característica técnica do modelo adotado pelo TSE.